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7 de January de 2009 - 8:22

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Uma... Felicidade

Você é paga pra quê?
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Kátia, Elena, Silvia, Karina e Adriana trabalham em áreas bem diferentes, mas têm algo em comum: apostaram no inusitado como modo de ganhar dinheiro, alcançaram o sucesso e adoram o que fazem
Por Ana Lúcia Neiva  

Aberta a novas possibilidades
Que brasileiro é criativo e sabe se reinventar a gente já ouviu. O segredo do sucesso é aplicar essa
habilidade na hora certa e se sobressair – como fez a psicóloga Kátia Aiello, 44 anos, quase sem querer, em uma área que parecia saturada. Formada há 22 anos, ela chegou a se dedicar ao tratamento de crianças vítimas de violência sexual e doméstica, mas teve de largar o trabalho para cuidar dos pais doentes.

Nessa hora, a saída para alegrar o ambiente foi comprar uma poodle. Foi o start para sua paixão por cachorros. Tanto que, depois da morte dos pais, Kátia se tornou adestradora. “Logo percebi que não gostava de algumas regras, da forma como os bichos eram ensinados.

Então, por conta própria, passei a fazer minhas adaptações”, lembra a dona da labradora Mila. Nessa época, a psicóloga conheceu o projeto Cão do Idoso, em que os cachorros visitam um asilo para fazer companhia e dar carinho à turma da terceira idade. “Assim, Mila virou um cão-terapeuta”, conta. Foi então que ela percebeu que dava para apostar na socialização dos animais e resolveu se matricular em cursos de psicologia da família e de neuropsicologia. Atualmente, ela sai com até 8 cachorros no seu carro, um Fiat Uno que não tem o banco de trás, para levá-los a um parque, onde eles brincam, se soltam e se socializam.

Depois, vão para a casa da professora, onde a aula continua. “Uns podem subir no sofá, porque sei que os donos não se incomodam. Os que não podem (porque os donos preferem assim), ensino a não fazê-lo”, diz. Quando um cão age de forma inadequada, a psicóloga faz questão de visitar a família e conhecer os hábitos das pessoas que moram na casa. O resultado? Os animais aprendem a se comportar em qualquer lugar. Mas vida de psicóloga de animais não é sempre a doçura que aparenta na foto ao lado. “Levar mordidas faz parte da profssão”, entrega a profssional, que também dá palestras sobre sua experiência.

 

Vocação na veia
A advogada de direito internacional Elena Vecino Hens, 33 anos, também foi contaminada pela arte. Porém aquela de cultivar azeitonas, alimentada há 20 anos pelo patriarca da família. Nascida em Sevilha, na Espanha, a jovem viu o pai, um engenheiro agrônomo, plantar uma variedade de azeitonas que não existia na região onde moravam e descobrir um tesouro. “O resultado foi um azeite novo, que hoje é bem reconhecido pela qualidade”, conta a jovem. Continuando a tradição da família, há 1 ano e meio ela se dedica à degustação de azeites espanhóis. “Meu pai queria que eu estudasse.

Depois de formada, morei em Madri, Barcelona, Paris, Nova Iorque, Dublin, Bruxelas, Rio de Janeiro e São Paulo fazendo de tudo um pouco – teatro, dança e documentários”, lembra. Foi a partir de um deles, aliás, realizado no Peru sobre medicina amazônica, que ela começou a se interessar pela cura através das plantas. “Eu mesma me recuperei de uma úlcera no estômago com azeite de oliva”, garante. Decidida a se envolver com as oliveiras, Elena partiu para cursos com catadores profissionais.

Também apostou na observação das árvores, acompanhou o passo-a-passo da colheita e os processos de extração do azeite. “Então foquei no paladar e na saúde para me dedicar ao que mexia com meu coração”, comenta a especialista, que ministra oficinas culinárias para crianças voltadas aos produtos da terra e, claro, no azeite. Antes de avaliar o produto, a especialista enxágua a boca com água quente para degustar o que chama de suco de azeitona. “O líquido é cheio de aromas, sabor e saber. Se a oliveira foi bem cultivada e o azeite, exprimido na hora certa, será um produto
perfumado, de gosto frutado, equilibrado e que deixará uma bela lembrança”, ensina.

 

O amor falou mais alto
Também foi seguindo o coração que a engenheira química Silvia Taiolli, 42 anos, se transformou em uma prof ssional raríssima no mercado: árbitro de sinuca reconhecida pela Confederação Brasileira do esporte, atual campeã brasileira e tricampeã paulista de sinuca feminina e instrutora da modalidade (com cargo descrito na carteira profissional e tudo) em clubes consagrados.

Como tudo começou? Meio de brincadeira e por influência do pai, que comprou uma mesa de sinuca e escalou a filha mais velha para parceira. “Tomei gosto; minha diversão nos fins de semana era sair para jogar nos salões. Mas sempre acompanhada do namorado (agora marido), pois o ambiente não era dos mais convidativos para uma moça”, recorda. Daí para participar de campeonatos oficiais foi um pulo. Até que ela decidiu fazer o curso de árbitros e passou a acompanhar partidas com as maiores feras da modalidade pelo Brasil. “Foi como aprendi tudo o que sei. Não ganhava nada para arbitrar, mas tive o privilégio de ver grandes jogadores em ação.”

Silvia foi conquistando o respeito de profissionais, entidades e do público. Tanto que há 3 anos comenta esportes de taco no canal pago de televisão ESPN Internacional. “Os espectadores dizem que não falo pouco nem muito, só o necessário. E que tenho a voz macia e sexy”, entrega, às gargalhadas. Realizada, a atleta só lamenta a falta de incentivo para o esporte no país. Por isso ampliou o leque de atividades: dá aulas, fabrica mesas e assina uma linha de equipamentos prof ssionais. “Faço tudo isso porque acredito que a sinuca é um esporte digno.”

 

Gosto do sucesso
Imagine uma pessoa contratada para comer chocolate todo dos dias. Só de pensar dá água na boca, não? A engenheira de alimentos Karina Chahade é uma dessas sortudas, e vai logo esclarecendo. “Sempre me
divirto com a reação das pessoas quando conto o que faço, mas digo que não como chocolate o tempo inteiro. Degustar é provar, avaliar. E só faço isso uma vez por dia”, diz a moça, de 28 anos, há quase cinco no controle de qualidade dos bombons e das barras que chegam às lojas da Kopenhagen.

Segundo ela, ao saborear um pedacinho do “ouro marrom”, ela precisa analisar a textura, o aroma e o sabor tanto de produtos que estão prontos para sair da fábrica como dos que estão em desenvolvimento. “É necessário perceber, por exemplo, se o balanceamento entre os ingredientes, como o leite e a manteiga de cacau, está correto. Dessa forma, dá para saber se está do jeito que o consumidor espera”, esclarece a especialista, que já fez vários cursos de análise sensorial para se aperfeiçoar. Mas outro quesito é essencial para ser degustadora: estar de bom humor na hora de entrar em ação. “O emocional interfere demais no resultado.

É importante também não estar com muita fome nem satisfeita demais, assim como não usar pasta dental ou mascar algo com menta momentos antes da avaliação. Tudo isso interfere na análise”, revela. Entre uma delícia e outra, ela toma bastante água e neutraliza o sabor doce comendo bolacha salgada. O lado ruim dessa profissão? “Não tem, pelo contrário! Como o consumidor está cada vez mais exigente, as empresas vêm apostando sempre mais nos especialistas em controle de qualidade. Assim, crescem as oportunidades e o desafio da profissão”, entrega. Em dúvida se a moça consegue olhar para chocolate fora do expediente? “Sim, como todo fim de semana também”, afirma.

 

Oportunidade bate à porta
Se criatividade é importante na vida profissional, pode-se dizer que sorte (ou aquela história de estar no lugar certo, na hora certa) foi o que abriu as portas para a atriz e cantora lírica Adriana Bernardes, 29 anos. Aos 17, ela era secretária de uma escola de artes em São Paulo. “Sempre gostei da área cultural. Toquei trombone em uma banda, atuei em várias peças teatrais e a literatura era uma paixão”, lembra a moça.

Enquanto aproveitava para fazer um curso de pintura nos horários vagos de trabalho no ateliê, uma turma buscava uma modelo vivo para um trabalho e o professor a convidou para posar. “Topei na hora e acho que deu certo porque não tive medo nem vergonha de ficar nua diante de um monte de gente”, conta. Tão certo que começou a ser chamada para trabalhar em outros lugares. “Foi um processo lento até conseguir posar em faculdades, onde há turmas de até 40 alunos”, admite.

Dona de um corpo abençoado por Deus, Adriana mantém o peso fazendo atividade física para ganhar resistência nos músculos e conseguir ficar imóvel sem (tanto) sofrimento. “As posições raramente são confortáveis. Dependendo da pose, sinto dores pelo corpo todo e formigamento nos pés. Tenho que parar de 15 em 15 minutos para alongar, ter concentração e saber controlar a respiração”, explica a modelo, que também chega a passar frio no inverno. Adriana conta que não há um curso específico, mas quem trabalha como modelo vivo geralmente vem do teatro ou da dança. E não há limite de idade, raça ou tamanho.

“Uma senhora acima do peso pode posar tanto quanto um homem forte ou uma grávida”, observa. “Mas apesar de democrático, o mercado é considerado bem restrito”, finaliza.

 

Os bichos são bem mais chatos que os humanos para comer. O coala, por exemplo, come só eucalipto e nada mais. Já os felinos comem apenas carne e nem reconhecem o sabor doce.

No filme Não por acaso a sinuca representa o oposto da vida. Enquanto o jogo é planejamento e estratégia, a realidade é feita de casualidades, encontros e desencontros inesperados.

Com o lema “Life´s hard... chocolate helps”, o blogchocolate.typepad.com conta como o doce ajuda a levar a vida.







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